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Graben das Lages

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Existem na região nordeste da ilha Terceira um par de falhas normais paralelas:
- uma a norte da Praia da Vitória que inclina para sul
- outra a sul das Fontinhas, mas que inclina para norte.




Graben das Lages - google earth
A chamada planície do Ramo Grande formou-se quando um extensa faixa de terreno situada entre essas duas falhas se afundou, gerando-se assim uma depressão tipo vale mas de fundo plano com origem tectónica, designada em geologia por Graben. 

Denomina-se Graben das Lages porque no seu centro se localiza a Vila das Lages.

Este graben é tectónicamente activo, estando em progressivo afundamento e inclinando-se para SE, o que determina poderosos sismos, como os ocorridos em 1614 e 1841.







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Caída da Praia - crises sismicas de 1614 e 1841

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As intensas crises sísmicas de origem tectónica, ocorridas na zona do chamado Ramo Grande, derivam do afundamento do graben das Lages e ficaram conhecidas por Caída da Praia, ou Queda da Praia.

A primeira crise chamada Primeira Caída da Praia, começou a  9 de Abril de 1614, entre as 9 e as 10 horas da noite. O sismo destruiu quase totalmente a freguesia das Fontinhas e provocou grandes danos nas freguesias vizinhas. 

"(...)Ameaçou Deus o castigo em 9. d Abril, descarregou o golpe da espada da diuina justiça Sabbado vespora da Trindade pelas tres horas do mejo dia em 24. de Majo.(...)"- Manuel Luís Maldonado, em Fenix Angrence.
 
A 24 de Maio um sismo de grande magnitude destruiu quase totalmente as freguesias de Agualva, Vila Nova, Lajes e Santa Cruz da Praia, provocando 200 mortos e muitos feridos.

"(...)só digo que dentro na VIla, e fora della cahirão vinte e coatro igrejas a saber sinco parochias e dois Mosteiros de Freiras, e hú de Frades; oito igrejas de Sacramento as mais todas hermidas. Morrerão tres freiras; e húa famula, e da mais gente que se acharão por conta morrerem mais de duzentas pessoas entre grandes e pequenos. Os fogos que chairão e erão abatidos tirados os que não tinham moradores dizem, serem mil seiscentos e onze, isto tudo na jurisdicão da Villa da Praia; já dice que em coatro legoas de cumprido e hüa de largo.(...)"- Manuel Luís Maldonado, em Fenix Angrence.

Registou-se  grande movimento da falha sul do graben do Ramo Grande (ou graben das Lajes, como por vezes é designado), com o aparecimento de grandes fissuras no solo, grandes desmoronamentos e o abatimento generalizado do terreno na zona do Ramo Grande.

"(...)No direito desta igreja (Lages) contra o mar está hua serra que se chama de João de Teue que corre deste direito the a Vila da Praja, e será de comprido mais de meja legoa em direito da igreja. Pelo pee desta serra se abrio hüa rotura na terra que fez grande espanto; esta dita rotura comessou desde hüa ponta e foi correndo continuado como hú quarto de legoa, e dahi atra-uessou ao mar e a parte da dita serra que fica à banda da terra dizem ficou mais baixa do que a do mar, como que esta parte da terra estaua deante do ar e com este tremor asentou por cuja cauza ficou mais baixa do que a outra. (...)"- Manuel Luís Maldonado, em Fenix Angrence.


A gestão da crise e o processo de construção foi protagonizado directamente pelos poderes locais: câmaras da cidade de Angra e da Vila da Praia, Cabido da Sé de Angra, corregedor e provedor da fazenda.
Mas seria o rei Filipe II, na carta régia de 18 de Maio de 1615, a definir os parâmetros da reedificação, promovendo soluções inovadoras a nível construtivo e urbanístico: ...fareis de maneira que a Villa fique melhorada do que dantes era, assim na fortificaçam dos edifícios, como na ordem das ruas e serventias dellas, que fareis fezer de modo que todas se alcancem por cordel, com parecer de algum architecto pratico que para isso fareis ir à dicta Villa... -(retirado de)

"(...)Quando ao Domingo amanheceo 25. de Majo se partio logo o Dezembargador Ioão Correa de Mesquita (...) a uer sómente a Vila da Praja, e como a uisse naquella mizerauel assolação, vejo logo pera a Cidade, e no mesmo dia elle com os officiaes da Camara d Angra se puzerão em tal ordem que logo à segunda feira man-darão muito mantimento assim de pam como vinho, carne, azeite, louça, mestres pera os feridos; e foi tanto o feruor em toda esta Cidade que não ouue homem que podesse acudir com suas esmolas que o não fizesse. Outrosi os Padres da Comppanhia de Iesu o fizerão também, como sua ordem o pedia. E certo que foi tanto o cuidado que esta Cidade teue de acodir a tanta necessidade quanta tinhão aquelles sinco pouos, que por tempo de oito, ou dez dias nunqua cessarão de correr pellos caminhos carros e azemalas com todo o necessario, e barcos por mar.(...) "- Manuel Luís Maldonado, em Fenix Angrence.


A Segunda Caída da Praia ter-se-á iniciado na manhã de 12 de Junho de 1841 com a ocorrência de numerosos sismos. No dia seguinte, a 13 de Junho, sismos mais intensos provocaram danos nos edifícios o que levou os moradores da Praia e freguesias vizinhas a abandonar as suas casas.  No dia 14 de Junho, pela madrugada,  violentos sismos provocaram ainda maiores danos. Dia 15 de Junho, 3H:25m, um violento sismo causou enorme destruição na Praia e nas Fontinhas, freguesia onde ruíram todos os edifícios, e danos generalizados em todas as freguesias do leste e nordeste da Terceira entre a vila de São Sebastião e a Agualva, com centenas de casas danificadas, das quais muitas tiveram de ser reconstruídas.

"(...) a gestão do desastre e da posterior reedificação foi assegurada pelo administrador-geral do distrito de Angra do Heroísmo, José Silvestre Ribeiro (1807-1891), e pelos oficiais administrativos do Governo Civil.
(...) As freguesias foram caracterizadas pelo número de fogos e de almas e as casas atingidas foram quantificadas e classificadas em duas categorias: totalmente arruinadas e gravemente arruinadas(...)
Os parâmetros de reedificação da Vila foram definidos em termos de mudança e inovação:
...O que quero é que a Villa da Praia fique melhor construida do que antes estava – o que desejo é que um dia se diga: – Se por aqui passou o genio da destruição, viérão depois mãos bemfazejas e reparadoras, que erguêrão das ruinas os edificios, e os tornárão mais bellos, e mais sólidos… (...)
A Commissão não deve perder de vista que sendo o principal objecto acudir aos pobres, reconstruindo-lhes as suas moradas, é tambem o nosso intento reedificar a Villa da Praia e muito mais bella do que estava antes do terremoto...(...) -(retirado de)


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Ilha Terceira - Geomorfologia, Vulcanismo e Sismicidade

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Geomorfologia



A ilha Terceira tem cerca de 30 km de comprimento por 19 km de largura e abrange uma área da ordem 400 km2. Caracteriza-se por apresentar altitudes relativamente baixas, atingindo o seu ponto de quota mais elevada  (1021 metros) no vértice geodésico de Santa Bárbara,  situado no bordo S da caldeira.


Sob o ponto de vista geomorfológico identificam-se seis regiões distintas:

(1) Vulcão dos Cinco Picos - o mais antigo da ilha (+/- 3 milhões de anos) e também o mais erodido, situa-se na zona oriental e corresponde a um edifício de grandes dimensões. Deste antigo vulcão restam, a Serra do Cume (no flanco NE) e a Serra da Ribeirinha (no flanco SW), escombros de uma  caldeira, conhecida como a Caldeira da Serra do Cume, com 7 Km de diâmetro,  que colapsou á cerca de 100 000 anos.

(2) Vulcão Guilherme Moniz -  Localiza-se na região centro-meridional na Serra do Morião e corresponde a um edificio poligenético ( tipo de vulcão onde poderão ocorrer diversos períodos eruptivos intercalados por outros de acalmia), de morfologia suavizada encimado por uma caldeira de paredes abruptas que  se encontra parcialmente ocupada por produtos de actividade eruptiva recente;

(3) Vulcão do Pico Alto - Situa-se no sector centro-setentrional, sobre o flanco norte do Vulcão Guilherme Moniz, e corresponde a um vulcão central com caldeira, preenchida por domos e escoadas lávicas traquíticas. Este aparelho tem atribuida a sua idade máxima de 100 mil anos, e de 1000 anos para o seu vulcanismo mais recente;

(4) Vulcão de Santa Bárbara  - As formações mais antigas deste vulcão datam de à cerca de 1 milhão de anos. Ocupa a parte ocidental da ilha e corresponde a um edificio cónico, truncado por duas caldeiras concêntricas, sendo que a mais antiga terá colapsado à cerca de 29 mil anos e a mais recente  está totalmente preenchida por domos e escoadas lávicas traquíticas. Nos seus flancos destacam-se diversos cones de escórias e extrusões de lavas traquíticas. Em falhas radiais do  vulcão  encontram-se  cones  de  escórias   e  domos   com   escoadas  lávicas (como  o Pico das Faias, o Pico do Teles, o Pico Negro, o Pico da Serreta e outros)

(5) a Faixa Vulcânica Fissural - é definida por uma faixa com cerca de 2 km de largura que se desenvolve em torno de um eixo central da Terceira, desde a área da Serreta (a NW) ás áreas de Porto Judeu- Fonte do Bastardo(a SW), recortando o interior da Caldeira Guilherme Moniz, o sul do Vulcão do Pico Alto e o troço central da Caldeira da Serra do Cume. Esta faixa Fissural foi reactivada há poucos milhares de anos e apresenta  diversos alinhamentos de cones de escórias, domos lávicos e falhas geológicas;

(6) Graben das Lages - Localiza-se no extremo nordeste da ilha e corresponde a uma estrutura tectónica distensiva definida por diversas escarpas de orientação NW-SE.



Vulcanismo

Carta Vulcanológica

O vulcanismo da ilha Terceira está marcado pelas erupções históricas de 1761 na zona central da ilha, o chamado Vulcão dos Picos Gordos, e no Sistema Vulcânico Fissural. Ao largo da ilha registaram-se duas erupções submarinas, a primeira em 1867 e a segunda entre 1998-2001, na Crista Submarina da Serreta.

Vulcanismo Histórico


Sismicidade


Sismicidade
 
A sismicidade localizada no interior da ilha Terceira tem sido pouco significativa, centrando-se, especialmente, no Vulcão do Pico Alto e no Vulcão de Santa Bárbara.
Angra do Heroísmo e Graben das Lajes são outras das zonas onde se observa alguma actividade.
Os eventos de maior magnitude e intensidade que têm afectado a ilha nos últimos anos têm tido epicentro no mar, nas importantes zonas sismogénicas definidas pela Bacia E da Graciosa, a Crista Submarina da Serreta, a Crista Submarina SE da ilha Terceira e o Banco D. João de Castro. Adicionalmente, embora com menor frequência, registam-se alguns eventos a sul da ilha, ao longo dos alinhamentos que se prolongam até aos centros eruptivos submarinos históricos.

O evento mais forte dos últimos 30 anos registou-se a 1 de Janeiro de 1980 e teve epicentro a cerca de 50 km a W da Ponta da Serreta, tendo atingido magnitude 7,2 e sido sentido na ilha Terceira com intensidade máxima de VIII (EMS-98).

Sismos Destruidores


 Referência:

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