A Descoberta dos Açores

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No reinado de D. Dinis (1279-1325) dá-se o grande incremento das trocas comerciais portuguesas com outros países da Europa.
Lisboa, a capital do reino, é uma das mais importantes cidades do comércio europeu, onde se estabelecem mercadores judeus, genoveses e venezianos, holandeses e ingleses. Assim, Lisboa fervilha com trocas não só de produtos comerciais mas também de novas ideias como técnicas bancárias e financeiras, técnicas de navegação e cartográficas. Nesta altura, os genoveses já navegavam pela costa de África, e até já conheciam algumas ilhas do arquipélago das Canárias.



Os Portugueses, o mar e a cartografia


De D. Dinis a D. Afonso VI


Em 1317, D. Dinis nomeia para primeiro Almirante do Reino o navegador e mercador genovês Manoel Pessagno. Pessagno encarrega-se de dirigir todas as construções navais portuguesas e reorganiza a Armada Real com o objectivo de defender a costa portuguesa do ataque de piratas.

Após o surto da peste negra, a fome e o despovoamento, Portugal vira-se para o Atlântico.
Em 1325, D. Afonso IV ordena as primeiras explorações marítimas, com apoio de genoveses, sob o comando de Manoel Pessagno.

Em 1336, os portugueses reivindicam a descoberta das ilhas Canárias.

A partir de 1339 começam a aparecer os primeiros registos cartográficos onde se assinalam ilhas localizadas no Atlântico, como é o caso das Canárias mas também do arquipélago da Madeira e dos Açores.


Portulanos 


As primeiras cartas de marear, também chamadas de Portulanos, feitos em pergaminho, datam da segunda metade do séc. XIII e são provenientes das cidades italianas de Génova e Pisa. Estão centralizadas no mar mediterrâneo. 

A partir de 1339, como dito anteriormente, começam a aparecer portulanos  onde se assinalam ilhas, muitas delas imaginárias,  localizadas no Atlântico:


Angelino Dulcert
Portulano do genoves Angelino Dulcert de 1339
(Foto daqui)

O Portulano do Genovês Angelino Dulcert datado de 1339, apresenta diferenças dos seus congéneres da altura.
Escrito em latim aparece também representado o Norte da Europa e África.
É o primeiro portulano onde se identifica a ilha de Lanzarote "Insula de Lanzarotus Marocelus" nas Canárias
Também aparecem representadas as ilhas míticas de "Insulle Sa Brandani siue puelan" (Ilhas de S. Brandão) aproximadamente na mesma posição do arquipélago da Madeira; "Diculi" (Daculi - Ilha dos Caranguejos) a noroeste da Irlanda e "Brezile" (Ilha Brazil) a oeste do Sul da Irlanda.




No chamado "Libro del Conoscimiento" datado de 1345, manuscrito anónimo atribuído a um frade sevilhano, que teria acompanhado expedições portuguesas às Canárias realizadas por volta de 1340-1345, no reinado de D. Afonso IV, são descritas diversas ilhas incluindo as ilhas do arquipélago das Canárias, da Madeira e também dos Açores

"(…) Llegamos a la primera isla que dizen gresa e apres della es la isla de lançarote (…) bezimarin (…) rachan (…) alegrança (…) uegimar (…) forte ventura (…) canária (…) tenerife (…) del infierno (…) gomera (…) de lo ferro (…) aragauia (…) saluage [Ilhas Selvagens, no arquipélado da Madeira] (…) la isla desierta [Ilhas Desertas, idem] (…) lectame [Madeira] (…) puerto santo [Porto Santo] (…) la isla del lobo [Ilha do Lobo ou do Ovo, atual Santa Maria], y a otra isla de las cabras [Ilha de São Miguel], y a otra isla del brasil [Ilha Terceira], y a outra la columbaria [Ilha do Pico], y la otra la isla de la ventura [Ilha do Faial], y la otra isla de sant Jorge [Ilha de São Jorge], e la otra la isla de los conejos, y la otra isla de cuervos marinos [Ilha das Flores]."



Mediceu Laurenziano
Portulano  Mediceu Laurenziano de 1351
(Foto daqui)

O Portulano Mediceo Laurenziano de 1351 (Biblioteca Medicea Laurenziana),  de autor genovês ou florentino assinala oito ilhas dos Açores mas com orientação Norte/Sul:
“Insulae Cabrera” (Santa Maria e São Miguel), “Insulae Brasi” (Terceira), “Insulae Ventura Sive de Columbis” (ilhas do Faial, Pico e São Jorge), e “Insulae Corvis Marinis” (ilhas das Flores e Corvo).
A ilha Graciosa aparenta estar em falta.
Continuam a figurar as ilhas miticas de "Mayda" e "Brazil".








Abraão Cresques
Atlas Catalão de 1375
(III e IV folhas)
(Foto daqui)

Atlas Catalão de 1375 (Bibliothèque Nationale de France) composto por vários portulanos sem data nem autoria, é atribuído ao cartógrafo judeu da "Escola de Maiorca", Abraão Cresques e a seu filho  Jehuda Cresques. 

Considerado a obra prima da "escola de Maiorca", representa de uma forma muito completa o conhecimento geográfico do fim da Idade Média, incluindo a Ásia e a China. É o primeiro mapa onde aparece representada a rosa dos ventos e é rico em belíssimas iluminuras.

Neste mapa estão representadas seis ilhas dos Açores com direcção norte/sul.

A mítica "insula Brazile" aparece representada duas vezes: no litoral da Irlanda e a sul do grupo dos Açores.






Pormenor do Atlas catalão de 1375 
onde se podem ver as:"Ilhas Afortunadas" (Canárias), 
o arquipélago da Madeira e algumas ilhas do 
arquipélago dos Açores.(Foto de The Cresques project)

Corbitis
Atlas Corbitis de 1384
(folha IV)
(foto daqui)



Atlas Corbitis datado de 1384 (Biblioteca Nacional Marciana de Veneza) atribuído a um cartógrafo veneziano anónimo, é composto por quatro portulanos.

Estão assinaladas as ilhas Canárias, o arquipélago da Madeira e 8 ilhas no arquipélago dos Açores

As ilhas açorianas estão na  direcção norte/sul e são:
y de corui marini (Corvo), liconigi (Flores), sco zorzi (São Jorge), y la uentura (Faial), li colonbi (Pico), y de brazil (Terceira), caprara (São Miguel) and louo (Santa Maria).









Descoberta do Arquipélago da Madeira 


Após ter eventualmente participado na tomada de Ceuta em 1415,  João Gonçalves Zarco, cavaleiro e navegador português, foi incumbido pelo  Infante D. Henrique de patrulhar a costa sul de Portugal e explorar a costa de África em busca de ilhas que já apareciam nos mapas. 
Em 1418,  acompanhado por Tristão Vaz Teixeira, chegam a uma ilha que baptizam de "Porto Santo".
Regressam a Portugal e falam ao Infante das ilhas que lhes pareceu de "grande proveito de se povoar".
Em 1419, retornam a Porto Santo desta vez acompanhados de Bartolomeu Perestrelo e "redescobrem" a ilha da Madeira.


Descoberta do Arquipélago dos Açores 


Ao longo da costa de África até ao cabo Bojador, dominam os ventos e as correntes marítimas no sentido Norte/sul. De volta a Portugal, os mareantes deparavam-se com uma viagem difícil e demorada.
Após várias viagens que tinham por função, além da descoberta de novas ilhas, o estudo dos ventos e das marés, os portugueses na viagem de regresso a casa, afastavam-se da costa até apanharem uma região de ventos variáveis. Por esta altura, os navegadores calculavam as léguas que tinha de navegar no sentido sul/norte para atingirem aproximadamente o paralelo da capital do reino, através de medições da altura da Estrela Polar.

É pois aceitável que o navegador português Diogo de Silves(?) no retorno de uma viagem à Madeira, tenha descoberto em 1427 as ilhas do arquipélago dos Açores. Esta teoria baseia-se na legenda do portulano de Gabriel Valseca datado de 1439.

Gabriel Valseca
Portulano de Gabriel Valseca  (1439)
da Biblioteca da Catalunha

No portulano de 1439 de Gabriel de Valseca uma legenda sobre o arquipélago dos Açores diz:

"Aquestes isles foram trobades p diego de ??? pelot del rey de portugal an lay MCCCCXX?II" 
"Estas ilhas foram achadas por Diogo de Silves (ou Sunis? ) piloto de El-Rei de Portugal no ano de 1427".





Pormenor do Portulano de Gabriel Valseca 
com a legenda referente às ilhas açorianas

Gonçalo Velho a mando do Infante D. Henrique, parte para ocidente em busca de ilhas ou terra firme que constavam nos mapas.
Em 1431, avista os ilhéus das Formigas e, desgostoso de não achar senão ilhéus regressou ao Algarve a dar a nova ao Infante.

Gaspar Frutuoso escreve:
"Pelas informações e notícia que o Infante D. Henrique tinha destas ilhas dos Açores, (…),  no ano do Senhor de mil e quatrocentos e trinta e um, reinando em Portugal El-Rei D. João(...) tendo o dito Infante em sua casa um nobre fidalgo e esforçado cavaleiro, chamado Frei Gonçalo Velho das Pias, comendador do castelo de Almourol, (...) o mandou descobrir destas ilhas dos Açores a ilha de Santa Maria, (…); o qual, aparelhando o navio com as coisas necessárias para sua viagem, partiu no dito ano da vila de Sagres e, navegando com próspero vento para o Ocidente, depois de passados alguns dias de navegação, teve vista de uns penedos que estão sobre o mar e se vêem da ilha de Santa Maria, e de uns marulhos que fazem outros que estão ali perto, debaixo do mar, chamados agora todos Formigas (…)
Vindo a estas Formigas Frei Gonçalo Velho no novo descobrimento (…), não achando ilha frutuosa e fresca, senão estéreis e feios penedos, e, em lugar de terras altas e seguras, vendo somente baixas pedras, tão baixas e perigosas, cuidando e suspeitando ele e os da sua companhia que o Infante seu senhor se enganara, julgando aquela pobre penedia por uma rica ilha, não entendendo todos eles com esta suspeita que havia mais que descobrir, se tornaram desgostosos ao Algarve, donde partiram, sem mais ver outra coisa que terra parecesse, e dando esta nova ao Infante D. Henrique, juntamente dizendo seu parecer, que não havia por este mar outras terras senão aquelas duras pedras que nele somente acharam."Saudades da Terra", Livro III, capitulo I.

Em 1432 regressa novamente por ordem do Infante e descobre a ilha de Santa Maria.

(…) determinou provar outra vez aventura e aventurar o pouco que gastava pelo muito que disso esperava cobrar; e, como foi tempo disposto para o descobrimento, no ano seguinte tornou, com rogos e com promessas(como alguns dizem), a mandar o mesmo Frei Gonçalo Velho a descobrir o que dantes não achara, dando-lhe por regimento que passasse avante das Formigas. O qual Gonçalo Velho,tornando a fazer esta viagem, como lhe era mandado, vindo com próspero tempo, querendo Deus já fazer esta tão alta mercê ao Infante e a ele, houve vista da ilha em dia da Assunção de Nossa Senhora, quinze dias de Agosto do ano do Senhor(…) 1432, que é o ano em que se achou a ilha de Santa Maria.(…) Com grande contentamento de Gonçalo Velho e de sua companhia foi celebrado aquele dia da Assunção de Nossa Senhora com duas alegres festas, uma por entrar a Senhora no Céu a gozar dos bens da glória, outra por entrarem eles naquela ilha nova a lograr os frutos da terra.(...)"Saudades da Terra", Livro III, capitulo II.

Logo imediatamente foram descobertas as outras ilhas do grupo oriental e central.

E, indo outra vez ao Reino, o tornou o dito Infante a mandar descobrir esta ilha de São Miguel, (...) o qual, obedecendo aos mandados e rogos do Infante, alcançou de Deus achá-la,(...) e fez-lhe o Infante mercê da capitania dela, juntamente com a da ilha de Santa Maria, ficando Capitão de ambas, mas, por ser, então, mais povoada a de Santa Maria, que primeiro fora achada, residia o mais do tempo nela e lá morava.
(...) vindo o dito Frei Gonçalo Velho a esta empresa mandado do dito Infante,descobriu primeiro a ilha Terceira, e depois a de São Jorge e a Graciosa, com que o Infante lhe ficou mais afeiçoado, (...)"Saudades da Terra", Livro III, capitulo XII.


 Em 1439, numa carta régia a Gonçalo Velho, D. Pedro I diz:
"Dom Afonso, etc. A quantos esta carta virem fazemos saber que o infante D. Henrique, meu tio, nos enviou dizer que ele mandara lançar ovelhas nas sete ilhas dos Açores e que, se nos aprouvesse, que as mandaria povoar. E porque a nós isso apraz, lhe damos lugar e licença que as mande povoar. (...)
o que deixa concluir que as sete ilhas do grupo central e oriental já tinham sido descobertas.


Diogo Gomes em “Relações do Descobrimento da Guiné e das ilhas dos Açores, Madeira e Cabo Verde. c. 1500.” relata: 

«Em certo tempo, o Infante D. Henrique, desejando conhecer as regiões afastadas do Oceano Occidental, se acaso haveria ilhas ou terra firme além da descrição de Tolomeu, enviou caravelas para procurar terras. Foram e viram terra a occidente além do cabo de Finisterrae umas trezentas léguas, e viram que eram ilhas, entraram na primeira, acharam-na deshabitada e, percorrendo-a acharam muitos açores e muitas aves;e foram á segunda, que ora é chamada Ilha de S. Miguel, igualmente despovoada, tendo também muitas aves e açores, onde, além d'isto, encontraram muitas aguas quentes naturaes, s. de enxofre. D'ahi viram outra ilha, agora chamada Ilha Terceyra, que era assim como a ilha de S. Miguel cheia de arvoredos, aves e muitos açores. E descobriram ali perto outra ilha, agora chamada Ilha do Fayal. E imediatamente outra ilha a duas leguas da ilha do Fayal, agora chamada ilha do Pico; (...) Os navios voltaram a Portugal annunciando esta noticia ao senhor D. Henrique, o qual se alegrou muito.»


Em 1452, o capitão Diogo de Teive, de regresso à ilha Terceira de uma viagem de exploração para ocidente, descobre as ilhas das Flores e do Corvo


No testamento do Infante D. Henrique, datado de 28 de Outubro de 1460, lê-se: 

«… Estas são as igrejas e capelas que eu… estabeleci e ordenei para sempre em reverência e louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Santa Maria sua Mãe, minha senhora…
item ordenei e estabeleci a igreja de são Luís, (actual ilha do Faial)
e a igreja de S. Diniz na Ilha de S. Diniz; (actual ilha do Pico) 
e a igreja de São Jorge, na ilha de São Jorge; 
e a igreja de São Thomaz, na ilha de S. Thomaz; (actual ilha das Flores)
e a igreja de Santa Eiria na Ilha de Santa Eiria; (actual ilha do Corvo)
item ordenei e estabeleci a igreja de Jesus Cristo na ilha de Jesus Cristo; (actual ilha Terceira)
e outra igreja na Ilha Graciosa; 
item ordenei e estabeleci a igreja de São Miguel na ilha de São Miguel, e a de Santa Maria na ilha de Santa Maria».



Jorge Aguiar
1492, Carta de marear de Jorge Aguiar
 
a carta portuguesa mais antiga, assinada e datada, que se conhece
(Foto daqui)
Luís Teixeira 1584
1584, Açores insulae. Mapa pelo cosmógrafo real Luís Teixeira
(foto daqui)



Fontes:

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Base das Lajes - Ingleses e Americanos na Terceira

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O Desembarque dos Ingleses na Terceira




8 Outubro 1943 Angra do Heroísmo Desembarque dos Ingleses
8 Outubro 1943
Angra do Heroísmo
Desembarque dos Ingleses







Na madrugada de 8 de Outubro de 1943 os britânicos chegam ao largo de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.


A população, primeiro a medo depois curiosa, dirigiu-se aos pontos sobranceiros à Baía.










8 Outubro 1943 Angra do Heroísmo Desembarque dos Ingleses
8 Outubro 1943
Angra do Heroísmo

Desembarque dos Ingleses



Após os primeiros contactos com terra, procedeu-se ao desembarque  no Porto das Pipas.








8 Outubro 1943 Angra do Heroísmo Desembarque dos Ingleses
8 Outubro 1943
 Porto das Pipas, Angra do Heroísmo


O desembarque no porto de Angra do Heroísmo não foi fácil devido a um temporal próprio da época de inverno nos Açores. Foram usadas barcaças de fundo chato para descarregar, tonelada por tonelada, secção por secção, todo o equipamento e abastecimentos necessários. 






Aviadores da RAF em marcha  sobre a ponte do Forte de São Sebastião
 Aviadores da RAF em marcha 
sobre a ponte do Forte de São Sebastião





O acampamento das Lajes ainda não estava construído, pelo que o quartel-general das tropas da RAF ficou instalado no Forte de S.Sebastião.







Ingleses na Terceira
 1943
Acampamento dos britânicos na Terceira
 




Com os 3000 militares vieram cerca de 20 000 toneladas de material e equipamentos que foram arrumadas ao longo do porto, para depois serem levadas para acampamentos improvisados. 








Ingleses na Terceira
 1943
Acampamento dos britânicos na Terceira
 




Foram instaladas tendas de campanha, muitas delas destruídas pelas intempéries usuais na ilha.









Alargamento da pista das Lajes.
1943
Início do alargamento da pista das Lajes.
Montagem das primeiras tendas




O transporte da vila para o Campo das Lajes teve de se efectuar com a ajuda de animais. 












Pista das Lajes - Revestimento da pista com chapas metálicas
Revestimento da pista com chapas metálicas





Iniciaram-se de imediato os trabalhos na pista revestindo-a com chapas metálicas. Estes trabalhos deram mão de obra a inúmeros trabalhadores portugueses.









A 9 de Novembro de 1943 aviões ingleses com base nos Açores afundam o seu primeiro submarino alemão.



A pista das Lajes, com os seus quase 2000 metros de grelha de aço, foi inaugurada a 15 de Dezembro de 1943.


Inauguração da pista das Lajes
Inauguração da pista das Lajes

A cerimónia incluiu uma bênção, presidida por três sacerdotes: um padre católico e dois pastores protestantes, um de rito anglicano e o outro de rito escocês. A fita foi cortada pelo Comandante Militar da Terceira, Brigadeiro Tamagnini Barbosa. 

Relembrou-se que tanto o Aeródromo como a soberania eram portugueses, e que apenas tinham sido feitas concessões em termo de base aos britânicos.

Após a inauguração, seguiu-se uma exibição de voo de um Boeing Fortress Mark II a baixa altitude e um chá, oferecido pelo Vice-marechal britânico Bromet.









A chegada dos Americanos às Lajes





Com a concessão das instalações da Base das Lajes aos ingleses, os americanos começam a insistir em compartilhá-las. A 1 de Dezembro de 1943, ingleses e americanos tinham chegado a um acordo para uma utilização conjunta da base. Salazar acedeu na presença de forças americanas mas exigiu que estas permaneçam sob comando britânico.


No dia 9 de janeiro de 1944  chega à Terceira o navio Abraham Lincoln com um grupo de 532 militares norte-americanos, pertencentes ao 96º Batalhão de Construções da Marinha e ao 928º Regimento de Engenharia da Força Aérea norte americana com 2500 toneladas de material para o alargamento do Aeródromo das Lajes. Desembarcaram apenas com o armamento individual que, logo após pisarem a Terceira, tiveram de entregar e seguiram depois para as Lajes desarmados,  surgindo aos olhos do Mundo  apenas como técnicos. 

Maio 1944
Vista aérea do Porto da Praia da Vitória





A 21 de fevereiro de 1944, o Comandante da Marinha dos EUA nos Açores solicitou a construção de um porto na Praia da Vitória, numa área muito acessível e com boas condições portuárias. 



As obras começaram de imediato, e este porto tornar-se-ia importante para o apoio aos depósitos de combustível americanos.











Os Estados Unidos pediram também a concessão de facilidades em Santa Maria e após um longo e difícil processo de negociações foi assinado o acordo dessa concessão a 28 de Novembro de 1944.




Cerimónia de entrega da Base das Lajes
pelos Ingleses à soberania Portuguesa



A 3 de Outubro de 1946 com o fim da II Guerra, procedeu-se numa cerimónia à descida do pavilhão inglês e ao hastear da bandeira nacional no aeródromo das Lages. 




No total a Royal Air Force realizou a partir da Base das Lajes 3 115 voos, detectou 38 submarinos e atacou 19, tendo protegido comboios aliados num raio de 700 milhas.




Os ingleses entregaram a base à soberania portuguesa e os americanos deixaram a Base de Santa Maria para se instalarem definitivamente na Base das Lajes onde permanecem ininterruptamente até hoje.


Consequências da presença estrangeira na Terceira 




O alargamento da pista das Lajes e a construção das instalações da base tiveram diversas consequências para a população local. 

Os terrenos outrora  chamados o "celeiro da Terceira", foram  destinados a estas instalações sendo os seus proprietários desapossados das suas terras, a troco de uma renda que lhes foi imposta e que consideravam injusta. Numa nota enviada ao Presidente do Conselho de Ministros pelo Governador Civil de Angra do Heroísmo, Dr. Cândido Forjaz, pode ler-se este descontentamento:
“A construção do aeródromo das Lajes veio desapossar das suas pequenas propriedades mais de duzentos proprietários hoje proletarizados. Ainda que lhes paguem a propriedade expropriada – eles não terão em que empregar o capital visto não haver, quasi não haver, propriedade disponível e os Bancos já não desejarem mais depósitos. São centos de pessoas arrancadas à terra com as naturais consequências de ordem social”

Todas as casas localizadas na área da pista e da base, foram demolidas e as famílias que aí residiam foram realojadas em duas novas aldeias entretanto construídas pelos ingleses: a Aldeia Nova do Juncal e a Aldeia Nova das Lajes.

Com a construção da Base, foram feitas pelos ingleses captações de água nas nascentes que causaram problemas no abastecimento de água às populações.

Foram restringidos os acessos nas vias aos cidadãos que ainda habitavam nas imediações da base.

O aumento populacional provocado pela chegada dos estrangeiros, provocou dificuldades no abastecimento de carne, arroz, bacalhau e sobretudo de cereais. O peixe atingiu preços incomportáveis. Gerou-se uma tendência de produzir apenas para as forças estrangeiras já que a população local não tinha o mesmo poder de compra. Produções caseiras como ovos, galinhas e  frutas, eram direccionadas exclusivamente para fornecer a base, propiciando o enriquecimento de alguns comerciantes e o desafogo temporário de alguns habitantes locais.

O mercado de trabalho aumentou, visto que eram recrutados trabalhadores locais para serviços e obras necessárias na base. O nível salarial destes trabalhadores era muito apetecível pelo que muitos largaram os seus trabalhos na agricultura e na pesca em busca de melhores condições de vida. Aumentou também exponencialmente a prostituição e os furtos.

Os estrangeiros trouxeram maneiras de estar e de viver diferentes. Tinham tanto que até os seus desperdícios eram aproveitados pela população local, como a reciclagem das latas das conservas que passou a ser taxada por ser rentável.

O convívio entre as duas comunidades foi enriquecedor e alguns casamentos ocorreram entre militares estrangeiros e portuguesas da Terceira.

O bem estar da população aumentou de uma forma efémera visto que, com a conclusão dos trabalhos da base surgiu o desemprego e uma grave crise no ano de 1945.
Havia dinheiro nos bancos mas não havia capacidade empresarial nem desenvolvimento económico para o investir.

É inegável que a base estrangeira nas Lajes modificou a vida na ilha Terceira, porque a ilha centrou-se na vida da base. Não houve outros projectos nem investimentos de interesse público.
Após a saída dos ingleses e 6 de Outubro de 1946 com o fim da Guerra, a base continuou americana como fronteira de segurança no meridiano 26ºW e a ilha continuou centrada na base.

Cândido Forjaz diria:
“... das três Ilhas principais do Arquipélago, é esta a única que tem condições para grande centro de tráfego aéreo internacional, que vai tomar depois da guerra o volume que tudo deixa prever”
mais um sonho baseado na base.



Fotos retiradas de : Historia dos Açores

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Os Açores na Segunda Guerra Mundial (1942-1943)

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Anos de 1942 e 1943

Os interesses ingleses nos Açores

A situação da Europa em 01 Janeiro 1942
(imagem daqui)

A Grã-Bretanha e os EUA chamavam à zona dos Açores  "Azores Gap", Black Hole" ou "Black Pit" por ser uma zona onde os submarinos alemães "U-boats" atacavam sistematicamente os comboios de navios aliados  vindos dos Estados Unidos para a Europa e Norte de África.
Só nos primeiros cinco meses de 1943, os Aliados perderam 365 navios.
Os Açores apresentavam-se pois numa localização estratégica da máxima importância para ambas as facções em conflito. 

Com a Batalha do Atlântico,  os Açores ganham enorme relevância para os Aliados na luta contra os "U-boats" do III Reich.

Logo no início de 1942, mais propriamente a 29 de Janeiro, Humberto Delgado parte para Londres com informações sobre as condições meteorológicas das ilhas açorianas. Essas informações levam os ingleses a desistir da intenção de utilizar hidro-aviões nas águas do arquipélago.
Assim, em Março, Vintras está de novo nos Açores desta vez para estudar o prolongamento da pista das Lajes, na ilha Terceira

Esta pista passaria a chamar-se  “Aeródromo das Lagens” por determinação de Salazar a 13 de Junho de 1942.

16 de Junho de 1943, o embaixador da Grã-Bretanha em Portugal, Sir Ronald Campbell comunica a Salazar que, na sua opinião e na do Governo Britânico e à luz da situação causada pelo avanço dos aliados, o perigo de uma invasão alemã da Península estava ultrapassado.
Solicita, invocando a Aliança Luso-Britânica, uma colaboração mais directa de Portugal no esforço de guerra inglês, ao permitir o uso de facilidades nas ilhas portuguesas do Atlântico, para o emprego de aviões e navios de superfície.
Salazar cede. Sente-se na obrigação de cumprir as cláusulas da velha aliança e apercebe-se que chegara aos limites da resistência embora uma quebra da neutralidade portuguesa pudesse acarretar sérias consequências.


1940
Angra do Heroísmo
(foto daqui

A 5 de Julho tem lugar a primeira reunião com a delegação britânica, onde se especificam os pontos do pedido inglês:

1. Uso livre do porto de Angra.
2. Acomodações para pessoal da Royal Navy: 135 homens em Ponta Delgada, Angra e Horta.
3. Armazenagem em Ponta Delgada de cerca de 1000 cargas de profundidade, munições diversas e mantimentos.
4. Facilidades para a actuação de quatro traineiras equipadas para a luta anti-submarina desde Ponta Delgada e de quatro caça-minas e traineiras desde a Horta.
5. Facilidades para a actuação de um ou mais rebocadores de alto mar desde Ponta Delgada e/ou Horta.
6. Instalação de postos de comunicações.
7. Utilização das pistas das Lajes e de Rabo de Peixe.
8. Facilidades para o reabastecimento de hidro-aviões em Ponta Delgada e na Horta.



1940
Ponta Delgada
(foto daqui)

Salazar acede mas reclama algumas garantias para Portugal:

a) compromisso assumido pelo Governo Britânico de prestar ao Governo português todo o apoio e auxílio militar no caso de ataque;
b) compromisso da elaboração de um plano de cooperação britânica na defesa de Portugal, para o que uma delegação portuguesa seria imediatamente enviada para o Reino Unido; 
c) fornecimento de material de guerra e de pessoal técnico.
d) protecção aos navios mercantes portugueses e a revisão dos acordos comercial e fornecimentos-compras e facilidades de transportes, destinadas a resolver as dificuldades do nosso abastecimento público, designadamente de alimentação e combustível.

A 23 de Julho envia uma nota ao embaixador da Grã-Bretanha em Lisboa, Sir Ronald Campbell onde diz que espera que as forças britânicas se retirem logo após o fim da guerra e que respeitem a integridade nacional. Acrescenta ainda que não permitiria uma presença americana nos Açores nem a de um só soldado inglês no Continente.

No dia 04 de Agosto de 1942, as Forças de Aeronáutica nos Açores passam a constituir a Base Aérea N.°4, no Aeródromo de  Santana  em  S.  Miguel,  e  a  Base Aérea    N.° 5, no Aeródromo das Lagens na Terceira.

Finalmente a 17 de Agosto de 1943 firma-se o acordo com a Inglaterra, onde era concedida à Grã-Bretanha o uso de facilidades nos Açores, nomeadamente  a utilização da base das Lajes, de uma base de emergência em Rabo de Peixe e do acesso aos portos de Angra, Ponta Delgada e Horta.

data fixada para a entrada em vigor do mesmo, seria a de 8 de Outubro do mesmo ano.
Portugal recebe em troca, entre outro material, seis esquadrilhas de aviões de caça Hurricane.
A defesa dos Açores ficava da responsabilidade de Portugal, à excepção das imediações da base das Lajes.

Poucos dias antes da entrada em vigor do acordo todos os cidadãos dos países do Eixo foram retirados dos Açores.

A 1 de Outubro de 1943 deu-se inicio à chamada operação "Alamity". Um comboio de navios da Marinha Inglesa parte de Liverpool com destino à Ilha Terceira nos Açores. É constituído pelo navio de transporte "Franconia" com 3000 homens do Exército, Armada e Força Aérea, escoltado pelos "destroyers" HMS Volunteer, Whitehall e Havelock acompanhados pelo porta aviões HMS FENCER  e os "destroyers" HMS Inconstant, Viscount, Wrestller,  Burza e Garland.


A cedência das bases foi oficialmente anunciada em Londres e Lisboa a 12 de Outubro de 1943

A Royal Air Force (RAF) passa a designar o campo das Lajes como RAF Station Lajes.


(1943),
 "Salazar discursando na Assembleia Nacional",
CasaComum.org,
Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114559 (2015-3-12)



A 26 de Novembro de 1943, Salazar discursa na Assembleia Nacional sobre o acordo com Inglaterra.










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