A Defesa dos Açores na Segunda Guerra Mundial

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A Defesa dos Açores



Até meados de 1941, os Açores estão praticamente indefesos.

Ernesto Machado, nomeado Comandante Militar dos Açores em 1939, foi instruído nesse mesmo ano pelo Subsecretário de Estado da Guerra para realizar a mudança do Comando Militar dos Açores da ilha Terceira (Palácio dos Capitães Generais) para São Miguel, e simultaneamente decidir sobre o reforço da Defesa das Ilhas.

Esse reforço, que durou de Outubro de 1939 a Julho de 1940, basicamente consistiu na instalação das baterias de costa, em Ponta Delgada (Bateria da Castanheira – Grotinha, Arrifes) e na Horta (Bateria de Costa da Ponta da Espalamaca e do Monte da Guia) e ao reforço da guarda das áreas mais críticas (estações de cabos, algumas praias, entre outras).

A partir de Maio de 1940, com a queda da França e com os pedidos insistentes da Inglaterra no sentido de reforçar a defesa nos Açores, decide-se enviar um batalhão expedicionário. O Batalhão de Infantaria nº.66 embarca para os Açores em Outubro de 1940.

Os Açores não têm cobertura aérea, embora uma pequena força de aviões de reconhecimento com base no arquipélago, fosse o bastante para aumentar em muito a eficácia do dispositivo de defesa. Efectivamente, os únicos hidroaviões que existem no país não podem permanecer nas ilhas por não haverem instalações adequadas.

A partir de Abril de 1941, o Exército reforça significativamente o seu contingente nas ilhas. 

Num relatório de 4 de Maio de 1941, a relevância das ilhas a defender fica definida:


S. Miguel é a ilha mais importante sob o ponto de vista estratégico; 
a Terceira é de grande importância, devido ao campo de aterragem; 
a ilha do Faial deve também ser defendida.

"Deverão preparar-se urgentemente dois aeródromos-base, um em cada uma das ilhas Terceira e de S. Miguel e, se possível, um campo de recurso na Ilha do Faial. Na ilha Terceira, o local preferido é o das Lagens, próximo de Praia da Vitória, e sobre o qual há já estudos do Conselho Nacional do Ar tendo em vista a sua utilização por linhas aéreas transatlânticas. Por agora interessa apenas um aeródromo de campanha, sem necessidade de grandes trabalhos de preparação. [...] 

A Marinha da Guerra e a Força Aérea acentuam a responsabilidade da vigilância das ilhas.
O patrulhamento aéreo é essencial na obtenção rápida de informação de modo a evitar qualquer ofensiva surpresa pelo que é sugerida a concentração urgente de maior numero de aviões possível nas ilhas.



Navio Lima


Em Maio de 1941, são enviadas para os Açores unidades antiaéreas no navio Lima e tropas de engenharia no navio Carvalho Araújo.







(1941), "Humberto Delgado e outros aviadores portugueses na Base das Lajes",
 CasaComum.org,
Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114159 (2015-2-5)

O então Major Humberto Delgado é encarregado de acompanhar os trabalhos da implementação da pista nas Lajes. 
Abre-se uma pista de terra batida e erguem-se alguns armazéns. 





1941 
Construção do hangar pela marinha de guerra portuguesa 
para a instalação do Centro de Aviação Naval em Ponta Delgada



A  Marinha da Guerra e a Força Aérea empenham-se na defesa dos portos. 
Em  Junho de 1941, com o desenvolvimento da base naval,  é criado o Centro de Aviação Naval de Ponta Delgada e nomeado Comandante Militar dos Açores o Brigadeiro Marques Godinho.





O sistema de comunicações usado pelos guardas costeiros até aqui é quase exclusivamente o telefone, pelo que neste mesmo ano, os Açores recebem o Posto Radiotelegráfico do Centro de Aviação Naval de Ponta Delgada.  



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A Aviação - Esquadrilhas expedicionárias





Gladiator
Navio "Mirandela" no
Porto de Lisboa
A 4 de Junho de 1941, parte de Lisboa com destino aos Açores o cargueiro "Mirandela".
A sua carga é composta por duas esquadrilhas equipadas com aviões Gladiator, pessoal militar como oficiais, pilotos, mecânicos, radiotelegrafistas, enfermeiros, sargentos e soldados do serviço geral, rádio e condutores, viaturas, munições e combustíveis.



Transporte dos Junkers JU.52 de Ponta
Delgada para o Aeródromo de Sant'ana




A Esquadrilha de Caça Expedicionária nº1 , composta por 5 Junkers JU.52 e 15 Gladiator desembarca em S. Miguel a 8 de Junho, com destino ao Aeródromo Militar  de Sant'ana, em Rabo de Peixe.




12 Junho 1941
Desembarque em Angra do Heroísmo

A Esquadrilha de Caça Expedicionária nº2  composta por 15 Gladiator desembarca no Cais da Alfândega em Angra do Heroísmo, ilha Terceira na manhã do dia 12 de Junho. Desfila pelo centro da cidade e dirige-se ao Castelo de S. João Baptista onde fica aquartelada. 






Construção da primeira pista paralela
ao Engenho do Álcool
 e perpendicular à Serra
(Lajes) 
Gladiators na Achada
Os aviões seguem encaixotados para o Aeródromo das Lajes. São montados nas Lajes do Calvário, junto ao Engenho do Álcool, onde se localizava a pista, que tinha acabado de ser concluída. Como esta ainda não apresentava as melhores condições os Gladiators são temporariamente deslocados para o Aeródromo da Achada onde passam a operar.




É também necessário instalar a esquadrilha, proceder à montagem dos aparelhos, organizar a logística, a manutenção e a defesa das instalações. As obras nas Lajes ficam concluídas a 26 de Agosto de 1941.



Em Setembro de 1941, o Comando Militar dos Açores dirige já uma guarnição distribuída por três ilhas, com uma presença simbólica nas outras. A área que mais soldados expedicionários recebeu, cerca de 26.500 continentais para reforçar as guarnições locais já mobilizadas para a formação de novas unidades, totalizava um número compreendido entre os 30.000 a 32.000 homens.
O grosso das forças está em S. Miguel, sede de três regimentos de infantaria (RI 18, 21, 22), companhias de metralhadoras, artilharia antiaérea e de campanha e as baterias de defesa de costa de Ponta Delgada.
O RI 17 está na Terceira e o RI 20 no Faial, ambas as ilhas reforçadas com unidades de artilharia de campanha, antiaérea e auxiliares.

Assim, de Abril a Setembro de 1941, criou-se nas ilhas um dispositivo de defesa que segundo o governo português "estava em condições de se opor eficazmente a uma tentativa de ataque à sua soberania nas ilhas portuguesas do Atlântico".

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Os Açores na Segunda Guerra Mundial (1941)

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Ano de 1941




No início de 1941, Portugal não tem condições para se defender de um ataque ao seu território. 

Na eventualidade de um ataque por parte da Alemanha, Salazar vira-se para a velha Aliada em busca de assistência. Portugal propõe à Inglaterra que sejam iniciadas conversações com vista a aperfeiçoar o seu plano de defesa. Se Portugal possuísse militares treinados,  armamento e uma moderna aviação e se a Inglaterra se comprometesse a defender o território em caso de invasão, talvez isso fosse o suficiente para dissuadir Hitler de um ataque.

Os ingleses não pretendem intervir na península embora saibam que Portugal possui um exército com apenas uma divisão operacional, mal treinada e mal armada, sem qualquer hipótese de oferecer resistência aos alemães. 
Fazem promessas vagas de envio de armamento e insistem  que é «essencial»  defender os Açores 
Pedem o envio de técnicos à paisana para estudar as instalações das ilhas (Açores, Madeira e Cabo Verde). Salazar recusa alegando que a sua presença seria detectada e poderia ser considerada uma provocação. 
Salazar não acredita na vitória dos Ingleses na guerra e tenta jogar com a neutralidade. 


A situação da Europa em 01 Janeiro 1941
(foto daqui)
Só em meados de Abril, Portugal informa a Inglaterra que os planos elaborados entre os dois países para uma eventual defesa de Portugal continental não eram viáveis. 
A Inglaterra propõe então a retirada do governo Português para os Açores, sob escolta da Marinha Britânica,  mal os Alemães passassem os Pirenéus, onde se estabeleceria a capital.
Ora isto  implicaria  preparar todas as infra-estruturas necessárias para assegurar a defesa das ilhas e a Inglaterra comprometia-se a enviar armamento para a defesa antiaérea e no auxilio na construção e ampliação de pistas de aviação do arquipélago. 
O que a Inglaterra não diz é que tem o intuito de poder utilizar essas infra-estruturas no caso de perder Gibraltar.
Salazar discorda. A retirada do governo para os Açores só se justificaria após um ataque alemão a Portugal e argumenta que a entrada dos alemães em Espanha ou mesmo a tomada de Gibraltar não implica a perda de neutralidade portuguesa.

No entanto, começa a ser dada a devida importância à defesa dos Açores,  com a criação do Comando de Defesa Marítima dos Açores, do Centro de Aviação Naval de Ponta Delgada e o envio de forças expedicionárias para as ilhas.

Sir Winston L. Spencer-Churchill

Impaciente com as recusas e delongas de Salazar, a  Inglaterra elabora planos de ocupação dos Açores (Operação "Brisk") e a 23 de Abril de 1941, Churchill manda preparar dois batalhões para ocupar os Açores e Cabo Verde  e convida Roosevelt a enviar uma esquadra americana  aos Açores para ajudar no patrulhamento. Roosevelt recusa dizendo que não é possível o envio da esquadra, mas os EUA apoiam a ocupação militar dos arquipélagos, embora seja necessário fornecer «garantias» de retirada no fim do conflito, pois os Açores fazem parte do «hemisfério ocidental» e a «opinião pública americana» é muito sensível aos acontecimentos nessa zona"



No início de Maio de 1941, após as vitórias alemãs na Grécia e na Cirenaica, teme-se a queda da França de Vichy para o lado do Eixo e a consequente perda do norte de África. 
Roosevelt ordena que três navios de guerra e alguns aviões deixem Pearl Harbour e se juntem à esquadra americana no Atlântico e engloba as ilhas espanholas e portuguesas na doutrina Monroe (que protege os interesses americanos permitindo-lhes uma intervenção na Europa).

A 22 de Maio, Roosevelt ordena que se prepare a Marinha para ocupar os Açores, com um pré-aviso de 30 dias. A operação recebe o nome de código «Gray».

Sem antes consultar Churchill acerca do arquipélago português, a 27 de Maio de 1941, o presidente americano faz o célebre discurso onde afirma que "a guerra se aproxima do hemisfério ocidental e que os EUA têm de controlar o Atlântico".
O principal receio dos EUA é o das possessões portuguesas caírem nas mãos dos alemães. Com a posse dos Açores e de Cabo Verde, os alemães controlariam as principais rotas comercias do Sul do Atlântico e, no caso de aí estabeleceram bases militares, constituiriam uma ameaça ao hemisfério ocidental. Assim, os EUA não podiam deixar de considerar qualquer acção alemã nas ilhas portuguesas como o início das hostilidades contra o seu próprio território. O presidente diz ainda que as tropas americanas estão a ser colocadas em posições estratégicas e que não hesitariam em recorrer à força, se os seus interesses e defesa estivessem a ser colocados em risco. Nunca se refere porém à soberania portuguesa sobre as ilhas.

Salazar protesta veementemente  e dirige uma nota para Inglaterra:
“O Governo de Sua Majestade está perfeitamente informado do que respeita à defesa das ilhas portuguesas do Atlântico e muito especialmente do arquipélago dos Açores. (...) o Governo Português não se tem poupado a nenhuns esforços para que as ilhas possam efectivamente resistir a um eventual ataque alemão, ao menos durante o tempo que seria necessário à presença naquelas águas da esquadra britânica e da prestação do seu auxílio. Enviando tropas, armando-as convenientemente, organizando a defesa por todos os meios aos seu alcance, solicitando, até, do Governo Britânico o fornecimento imediato dos elementos aconselháveis para tornar ainda mais perfeita a defesa, o Governo Português tem a consciência de estar a respeitar a neutralidade da Nação e a plena soberania sobre os seus territórios, sem deixar de ter, ao mesmo tempo, em conta o interesse britânico (...).O Governo Português, que não tem compromissos políticos com o governo de Washington, não pode deixar de considerar qualquer atitude sua e desconhecimento da soberania portuguesa nas ilhas atlânticas, ainda que baseada na presunção de tencionar ocupá-las uma potência inimiga, como acto de agressão ao território português com as lógicas reacções que o caso exigiria”.

Em fins de Maio, o Ministro da Guerra, Santos Costa, encarrega o então major Humberto Delgado de fazer um levantamento topográfico completo dos Açores para que a RAF planeasse uma base aérea. Delgado  faz uma série de viagens a Londres levando mapas e dados sobre os Açores.


31 de Maio Salazar comunica ao Secretário de Estado Americano que uma ocupação do seu país do arquipélago poderia desencadear uma invasão alemã da Península Ibérica. Em resposta recebe uma nota do departamento de estado norte-americano.
Nela diz-se que:
"Os EUA não têm qualquer intenção agressiva e que a referência às ilhas no discurso do Presidente incidia meramente sobre o perigo da sua ocupação por uma potência inimiga (...) O Governo dos Estados Unidos (...) não nutre nenhumas intenções agressivas contra a soberania ou integridade territorial de qualquer país.(...) Ao referir-se às ilhas do Atlântico, foi intenção do Presidente indicar os perigos que resultariam para este hemisfério se as mesmas ilhas viessem a cair sob o domínio ou ocupação das forças que seguem uma política de conquista e de domínio mundiais. A importância estratégica destas ilhas, devido à sua posição geográfica, foi salientada pelo Presidente exclusivamente em termos do seu valor potencial do ponto de vista de um ataque contra este hemisfério”.

É então que Churchill transmite a Roosevelt que com o decorrer favorável das conversações entre Portugal e a Grã-Bretanha onde fica estabelecido que a defesa dos Açores será reforçada, possivelmente será possível chegar a um acordo diplomático a curto prazo para a ocupação do arquipélago. “Acrescenta, porém: «Independentemente da decisão de Salazar, temos de obter o controle das ilhas, no que a cooperação dos EUA será inestimável".


22 de Junho, a Alemanha invade a URSS e a  Inglaterra revê os planos para o Atlântico. A partir de Julho, são colocadas forças de desembarque de prevenção para quando a Rússia estiver derrotada (em Setembro segundo se espera) se desencadearem três operações em simultâneo: «Springboard» para a Madeira, «Thruster» para os Açores e «Puma» para as Canárias.


A 8 de Julho , Salazar recebe uma carta do presidente Roosevelt  a garantir a integridade das ilhas:
"Meu caro Doutor Salazar.
FRANKLIN D. ROOSEVELT
Escrevo-lhe esta carta (...) para pôr fim a certos mal-entendidos que lamentavelmente têm surgido nas últimas semanas entre os nossos dois Governos. (...) Este Governo encara com a maior satisfação os passos que já foram e que estão a ser tomados pelo seu Governo para reforçar a defesa dos Açores (...) de modo a tornar qualquer ataque surpresa por parte da Alemanha, ou por potências cooperantes com a Alemanha, menos provável de sucesso. É preciso acrescentar que, por ser de vital importância para os Estados Unidos que a soberania Portuguesa  nos Açores e nas outras possessões portuguesas permaneça intacta, este Governo estará preparado para ajudar as autoridades de Portugal na defesa desses bens contra qualquer ameaça de agressão por parte da Alemanha, ou de poderes sensíveis à Alemanha, caso o seu Governo expresse a convicção de que esse tipo de agressão é iminente ou o desejo que sejam tomadas as devidas providências. Todas essas medidas, é claro, seriam tomadas em pleno reconhecimento dos direitos soberanos de Portugal e com categóricas garantias de que quaisquer forças americanas enviadas para possessões portuguesas seriam retiradas imediatamente após o término da guerra.(...)

Passados 8 dias, Salazar responde:
Sr. Presidente. 
Foi-me particularmente grato receber a carta de V. Ex.ª e tomar conhecimento, (...), dos sentimentos dos Estados Unidos e do seu Governo para com Portugal e da sua exacta posição quanto a territórios portugueses do Atlântico nas suas relações com a segurança da América do Norte.
(1951-1960), "António de Oliveira Salazar",
 
CasaComum.org, imagem daqui

Recusei-me sempre a crer que em quaisquer declarações de V. Ex.ª se devesse ver necessariamente o desconhecimento dos direitos soberanos de Portugal ou a velada intenção de os violar em determinadas circunstâncias. (...) A tese de que a defesa americana depende de certos pontos estratégicos repetidamente aludidos sem referência a um domínio estrangeiro que tinha de ser respeitado prestava-se (...) à pior interpretação.(...) as nações devem manter-se fiéis ao seu ideal e não podem na sua acção política violar os mesmos princípios que se dizem defender ou por que estão prontas a bater-se. 
Embora as autoridades militares portuguesas não partilhassem dos receios de um ataque aos Açores por forças alemãs,(...) por prudência e para garantia da segurança da Inglaterra nossa aliada secular, o Governo não se tem poupado a esforços ou despesas para conservar as ilhas do arquipélago e também as de Cabo Verde em condições de defesa eficiente. Nós cremos que as forças e material ali já acumulados, e ainda algum material de aviação e antiaéreo que o Governo Inglês se prontificou a fornecer imediatamente, porão as ilhas fora das possibilidades de contra elas se fazer um ataque com êxito, dispostos como estamos a fazer respeitar a soberania portuguesa e a nossa neutralidade. Esta segurança a tem a Inglaterra e espontaneamente a demos ao Brasil na parte em que o nosso efectivo sobre as ilhas atlânticas pudesse interessar à sua defesa. (...).
Estou, é evidente, a considerar neste momento apenas a permanência da situação neutral que Portugal adoptou desde o começo do conflito europeu; se, porém, esta viesse a ser alterada por uma violação da sua soberania, a situação daí resultante teria de ser examinada a outra luz e definida a nova posição. Não quero desde já prever esse futuro, mas meço bem todo o alcance e valor da declaração de V. Ex.ª e, dada a intimidade das nossas relações com o Brasil, eu creio que Portugal poderia abertamente contar também em tal emergência com a sua solidariedade e todo o seu apoio".

Salazar não se mostra absolutamente convencido, e a sua já desconfiança em relação aos Americanos aumenta a partir daqui.

Visita do Presidente Carmona aos Açores
26/Julho/1941 - Ponta Delgada
 


É então que Salazar pede ao Presidente Carmona para se deslocar aos Açores de modo a ali afirmar a soberania portuguesa. Carmona durante a visita profere a célebre frase "Aqui é Portugal", claramente indicativa da linha política nacional.






Em Agosto de 1941, Franco envia para a frente russa a famosa divisão azul, para combater ao lado dos alemães em nome da luta anti comunista. Churchill e Roosevelt assumem que Espanha abandona a neutralidade espanhola, e a hipótese da ocupação dos Açores é novamente abordada na célebre conferência do Atlântico.

No último trimestre de 1941, as conversações de Estado-Maior entre Portugueses e Ingleses já tinham como ponto assente as medidas a tomar no caso de um ataque alemão a Portugal. Várias infra-estruturas têm de ser aprontadas: 
“(...) dois aeródromos-base, um em cada uma das ilhas Terceira e de S.Miguel e, se possível, um campo de recurso na Ilha do Faial
Na ilha Terceira, o local preferido é o das Lagens, próximo de Praia da Vitória, e sobre o qual há já estudos do Conselho Nacional do Ar tendo em vista a sua utilização por linhas aéreas transatlânticas. Por agora interessa apenas um aeródromo de campanha, sem necessidade de grandes trabalhos de preparação. [...] 
Sendo possível, e para uma segunda fase, conviria ainda que o campo da Achada, na mesma ilha Terceira, fosse preparado como campo de recurso, tendo em vista a vigilância aérea da cidade de Angra e do seu Porto. 
Na ilha de S. Miguel calcula-se haver possibilidade de preparar um aeródromo na região de Ribeira Grande nas condições desejadas.
Quanto à ilha do Faial, os estudos na carta dão como possível a preparação de um campo de recurso na região de Feteira.(...)

Após o ataque japonês a Pearl Harbour a 7 de Dezembro, os Estados Unidos declaram guerra ao Japão e viram as suas atenções para o Pacífico. A questão dos Açores foi delegada para um plano secundário. 

O major Humberto Delgado é nomeado representante de Portugal nas negociações anglo-portuguesas e é-lhe atribuída a missão de recolher informações, levantamento topográfico, meteorológico, condições de desembarque e manutenção de uma possível Base Aliada nos Açores a ser utilizada pela Royal Air Force.
No mesmo dia 10 de Dezembro, Delgado e um oficial da Royal Air Force de nome Vintras, partem para os Açores para estudar a possibilidade da instalação de bases britânicas no arquipélago. 
(1941), "Humberto Delgado e outros aviadores portugueses na Base das Lajes",
 
CasaComum.org,
 Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114159 (2015-2-27)

No fim do ano de 1941, Churchill defendia junto dos americanos que não deviam ser tomadas quaisquer iniciativas em relação às ilhas atlânticas a não ser que a Península Ibérica fosse invadida e a Espanha permitisse a ocupação germânica. 
Os britânicos asseguravam ao presidente Roosevelt que a amizade luso-britânica era «firme» e que «as defesas das ilhas tinham sido aumentadas ao máximo, sendo que apenas uma questão de até que Portugal se juntasse aos aliados». 
Com base nestas garantias, o plano norte-americano para a ocupação dos Açores foi temporariamente posto de lado.




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Os Açores na Segunda Guerra Mundial (1939-40)

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DE 1939 A JUNHO DE 1940




Apesar de neste período Portugal pouco sentir os efeitos da Guerra, Salazar apercebe-se da importância dos Açores no domínio do Atlântico.
Logo em finais de 1939 começa a preparar a defesa das ilhas.
O que resta do Aeródromo de Santana

O Aeródromo Militar de Sant'Ana, em Rabo de Peixe, ilha de S. Miguel, começa a ser construído nesse mesmo ano.


Ficaria conhecido por “Aerovacas”, pois as áreas circundantes eram local de pastagem de gado, que por vezes se misturava com as aeronaves. Sabe-se que os pilotos chegavam a fazer voos rasantes sobre as pistas, antes de aterrar, com o objetivo de as afugentar. 






No Atlântico, os submarinos alemães (U-boat) atacavam os comboios de navios provenientes dos Estados Unidos com destino a Inglaterra, com abastecimentos para as Forças Aliadas.


Em Maio de 1940, com a invasão de França, os ingleses demonstram a sua preocupação com a situação dos Açores.
Numa carta dirigida ao embaixador português em Inglaterra, Armindo Monteiro pode-se ler: “estamos impressionados pela situação potencialmente perigosa existente nos Açores e nas ilhas de Cabo Verde. Estas ilhas ocupam uma posição estratégica extremamente valiosa que os nossos inimigos teriam grande vantagem em ocupar para as usar como bases aéreas e de submarinos e para interromperem as comunicações. […]

Em 10 de Junho a Itália entra na guerra e invade o sul de França.  

Por esta altura  Franco está convencido que o fim do conflito está para breve com a vitória alemã e a 12 de Junho, altera a condição da Espanha de país neutro a não-beligerante.


Com a  rendição de França em 22 de Junho de 1940 a Alemanha estava a ganhar a guerra. 

Submarinos alemães defendiam a Baía de Biscaia, o Canal Inglês, o Canal da Mancha e o Mar do Norte o que impossibilitava qualquer ataque marítimo pelo norte.
As colónias francesas do Norte de África também foram caindo, apesar de algumas terem resistido por algum tempo.





Operações Félix e Isabella



Ao mesmo tempo que se inicia a Batalha de Inglaterra a 10 de Julho,  os alemães iniciam negociações com Franco com vista a um assalto a Gibraltar (Operação Félix)

Salazar  foi informado das intenções  dos alemães pelo cônsul português em Vichy,  Teotónio Pereira.



Com as forças alemãs estacionadas nos Pirenéus e pressionado pelo ministro do interior espanhol Serrano Suñer,  no sentido de Portugal celebrar uma aliança militar secreta com Espanha, Salazar contra-ataca com um Protocolo Adicional ao Pacto Ibérico, assinado em 29 de Julho de 1940. «[...]os Governos português e espanhol acordam, e por este protocolo se obrigam, a concertar-se entre si acerca dos melhores meios de salvaguardar os seus mútuos interesses, sempre que se prevejam ou verifiquem factos que por sua natureza possam comprometer a inviolabilidade dos respectivos territórios metropolitanos ou constituir perigo para a segurança ou independência de uma ou de outra das duas partes.»

Perante este cenário, os ingleses elaboram um plano para a ocupação das ilhas açorianas mas também de Cabo verde caso Portugal fosse invadido ou se aliasse às forças do Eixo. A força de ocupação dos Açores (Operação Alloy) seria  formada por duas brigadas mistas (4 batalhões dos Royal Marines e 1 do Exército), apoiados por um couraçado e transportados por dois navios de transporte de tropas. O Governo português seria posto à última da hora perante o facto consumado, sendo dadas todas as garantias de que a ocupação era provisória e terminaria no fim da guerra.
A ordem de ataque só poderia acontecer se ocorresse:
a) hostilidade portuguesa ou espanhola;
b) a certeza que um desses países vai entrar na guerra;
c) mal se dê o início da Operação Félix por parte dos alemães ou; 
d) caso não estejam a ser alcançados os resultados económicos vitais na Península, 
e teria de ser executada nas 48 horas seguintes.
O plano inglês é aprovado a 22 de Julho de 1940 e comunicado aos EUA solicitando a ajuda americana numa tentativa de empurrar a entrada da América no conflito.




(1940), 
"II Guerra Mundial:embarque de tropas portuguesas para os Açores",
 CasaComum.org,

Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114895 (2015-2-5)




Perante a insistência inglesa na defesa das ilhas é enviado para os Açores em Outubro de 1940 um batalhão expedicionário o BI 66. A Marinha começa a desenvolver uma base naval em Ponta Delgada para aqui manter um destroyer em permanência. 













Encontro de Hitler e Franco em Andaya

A 23 de Outubro de 1940 Hitler e Francisco Franco encontram-se em Andaya para discutir as condições da Operação Félix. Para os alemães a reunião é um desastre. Franco, exige inúmero armamento, territórios como Gibraltar, Marrocos,  Oran na Argélia, e incomportáveis exigências financeiras e económicas. Hitler diria mais tarde que preferia arrancar todos os dentes a voltar a encontrar-se novamente com Franco. 






No entanto, a 12 de Novembro Hitler declara na Directiva n.º 18 que "tinham sido iniciadas medidas políticas para induzir a rápida entrada de Espanha na guerra" e que o objectivo da intervenção alemã na Península Ibérica seria o de "expulsar o Inglês do Mediterrâneo Ocidental". 
Mencionava também a potencial invasão de Portugal (Operação Isabella), caso os britânicos ali "ganhassem uma posição".
Hitler defende uma ocupação prévia de Cabo Verde e dos Açores.
Ficava assim fechada a porta de entrada ocidental para o Mediterrâneo, bem como a costa da Península Ibérica, os arquipélagos dos Açores, da Madeira, das Canárias e o de Cabo Verde.


Devido à recusa alemã de ceder às exigências Espanholas, Franco passa a resistir a uma entrada na guerra ao lado do Eixo. 
A Alemanha começa também por concentrar a sua atenção na preparação do ataque à Rússia, mais tarde conhecida por operação “Barbarossa”, esperando retomar a operação “Felix” quando a Rússia se encontrar, supostamente, derrotada. A 12 de Dezembro de 1940 a  Operação Félix  acaba por ser adiada.




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Os Açores na Segunda Guerra Mundial (1939 - A neutralidade Portuguesa)

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Portugal e a neutralidade



Perspectiva histórica




Em Março de 1939, quando já se adivinhava o inicio do conflito, Portugal e Espanha assinam um Tratado de Amizade e Não-agressão (Pacto Ibérico), onde fica estabelecido:

(1939), "Assinatura do Pacto Ibérico",
 CasaComum.org, 
Disponível HTTP: http://hdl.handl
1) respeito mútuo de fronteiras e territórios, abstenção de actos de agressão ou invasão, ou de acto violento contra a integridade e inviolabilidade do território;
2) não prestação de auxílio a agressor da outra parte;
3) não participação em pacto ou aliança contra a outra parte;
4) não assunção de futuros compromissos, assumidos para com terceiros, ressalvando sempre os compromissos definidos no pacto;
5) considerar a duração de dez anos para a sua vigência, admitindo-se a sua prorrogação, se não houvesse denúncia com seis meses de antecedência;
6) entrada em vigor na data da ratificação.





Com a invasão da Polónia por parte da Alemanha, a 1 de Setembro de 1939, deu-se o início da Segunda Guerra Mundial na Europa.


Nota oficiosa do Governo de Salazar
proclamando a neutralidade portuguesa

Neste mesmo dia, Salazar numa nota oficiosa à imprensa, declara unilateralmente a neutralidade de Portugal em relação ao conflito.

A independência nacional, a integridade do país no seu todo e a manutenção do regime e das instituições vigentes são os seus três objectivos fundamentais.


Na primeira fase da guerra, a neutralidade portuguesa interessa a todos os beligerantes e Salazar procura tirar contrapartidas económicas da guerra.


A velha Aliança Luso-Britânica mantêm-se firme.
 O casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre
 marcou o início da Aliança Luso-Britânica 

Túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre
Mosteiro da Batalha - Portugal

Na referida nota oficiosa diz Salazar: 
«felizmente, os deveres da nossa aliança com a Inglaterra - que não queremos eximir-nos a confirmar em momento tão grave - não nos obrigam a abandonar nesta emergência a situação de neutralidade»

Para os ingleses a neutralidade Portuguesa além de afastar a Península Ibérica do conflito, assegura a defesa dos  interesses estratégicos de Inglaterra em Portugal, sobretudo nos Açores e em Cabo Verde, onde têm instaladas estações de cabos submarinos que serviam de ligação às suas colónias e ao mundo.
Tanto para Portugal como para Inglaterra, existem também interesses económicos importantes não fosse a Inglaterra o principal parceiro económico português,  não só por via das importações e exportações mas porque também existem grandes investimentos ingleses no país.
Os ingleses tinham ainda vastas fronteiras com colónias portuguesas em África e na Índia sendo o principal transportador das exportações portuguesas.


Em relação à Espanha, a neutralidade portuguesa é uma neutralidade activa. Pelo Pacto Ibérico, a antecipação da declaração de neutralidade de Salazar arrasta a Espanha também para uma posição neutral,  afasta-a da Alemanha e assegura assim a "Neutralidade Ibérica".


Por outro lado, Portugal mantém uma relação de amizade com a Alemanha, o seu segundo parceiro comercial já antes do inicio da Guerra. Os alemães são grandes importadores de minério português, especialmente de volfrâmio e chegam a ter grandes investimentos em Portugal na exploração de minas.  É através de Portugal que a Alemanha recebe alguns produtos fundamentais, tais como o petróleo americano e os seus derivados, fosfato do Norte da África,  e várias matérias-primas. O idealismo politico alemão era também muito próximo do de  Salazar .


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