Angra do Heroísmo - Do inicio do povoamento até ao Sismo de 1980

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Angra


Do inicio do povoamento até ao Sismo de 1980



Gravura de Jan Huygen van Linschoten - 1595
O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a protecção de todos os ventos, excepto os de Sudeste.
As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, o chamado Castelo dos Moinhos.


Angra op Tercera, ca. 1670-1700] (http://purl.pt/5915)

Em 1474, a capitania de Angra  foi doada a Álvaro Martins Homem, que deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a força de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. O casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas como as ruas do Pisão, da Garoupinha ou do Santo Espírito. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito.




Cidade d'Angra do Heroismo
 -LEBRETON, Louis-1866
http://purl.pt/13618/1/

Na área do vale, foram abertas ruas, obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez, como é o caso das ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior.
Em  1478, a povoação foi elevada à categoria de vila e, em 1534,  foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade e feita sede de bispado, com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores.



Caravela Vera Cruz
a entrar no Porto de Pipas
(Sanjoaninas 2008) (ver)
Este imenso progresso deveu-se à importância do seu porto como escala da Carreira da Índia, (ligação marítima anual entre Lisboa e Goa, e vice-versa). Nas primeiras décadas do século XVI  foi aqui instalada a Provedoria das Armadas , a quem competia prover as embarcações da Carreira da Índia, e ainda às da Armada das ilhas, que faziam a sua escolta, de víveres frescos, munições, promover reparos nas embarcações, garantir assistência hospitalar às gentes, remediando e prestando toda a assistência que se fizesse necessária, até mesmo fretando reforços.


Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina,  vieram juntar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais. Para apoio das embarcações foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações do Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista.



Planta da cidade d'Angra do Heroismo
 Lisboa, 1870
(http://purl.pt/1399)
Em 1766, é-lhe atribuída a Capitania Geral dos Açores e Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais,  funções que desempenhou até 1832.

Angra foi decretada duas vezes capital do Reino:  em 1580 apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, e  em 1828 a Junta Provisória foi aqui estabelecida, em nome de Maria II de Portugal,  tendo sido nomeada novamente capital do reino em Março de 1830.

Por Carta Régia de 1837,  a cidade de Angra acrescenta aos seus títulos o de "Heroísmo" e de "Sempre Constante", tornando-se a "Mui Nobre, Leal e Sempre Constante Cidade de Angra do Heroísmo" , além de que nessa época já albergava  500 anos de cultura europeia, asiática, africana e sul-americana.




Quando do sismo de 1980, o esplendor da cidade era já uma coisa do passado visto que o século XIX e a navegação a vapor retiraram-na das rotas internacionais. 


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Estorninho-malhado (Sturnus vulgaris granti)

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É uma das espécies de aves mais abundantes dos Açores e forma bandos que atingem, por vezes, alguns milhares de indivíduos.



Pode ser confundido com um Melro, sobretudo devido ao seu tamanho e cor. Porém, tem o  bico mais comprido e pontiagudo), movimentos diferentes em vôo e caminha, enquanto que o Melro geralmente saltita nas duas patas.



Consoante a época do ano, a sua plumagem preta é pontuada de pequenas manchas brancas (Inverno) ou apresenta nuances  de reflexos metálicos verde-arroxeado (Primavera/Verão). As suas patas são castanho-rosado.



Esta espécie tem o hábito de pousar nos cabos e apoios das linhas eléctricas e de telefone, agrupando-se aí em grandes bandos, principalmente durante as últimas horas de luz solar, antes de se dirigir aos seus dormitórios.


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Convento e Igreja de São Gonçalo

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Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 516/71, de 22 de Novembro, classificação consumida por inclusão no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme a Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e artigo 10.º e alínea a) do artigo 57.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.



O Convento de São Gonçalo  foi criado por Bula do Papa Paulo III, em 1542, através de um pedido feito por Brás Pires do Canto, patrono deste mosteiro de Clarissas e onde se recolheram as suas duas filhas.


Igreja de S.Gonçalo - exterior




Com o aumento do número de religiosas durante os séculos XVI e XVII, houve necessidade de ampliar o Convento, e aproveitaram-se espaços como o da localização da primitiva igreja, da qual ainda existem vestígios integrados nas paredes do claustro Sul. Após essa ampliação, foi iniciada a construção de uma nova Igreja, no fim do séc. XVII, que foi inaugurada em 1776 com o nome de Igreja de São Gonçalo.







O Convento

Convento de São Gonçalo
Claustro

Este Convento distribui-se em redor de dois claustros.  As galerias do segundo piso correm sobre arcarias, com as quais se comunica através de escadas colocadas no canto de cada galeria. Nas  galerias encontram-se alguns oratórios embutidos nas paredes, de grande beleza ornamental, tanto nos dourados das talhas, como nas pinturas das telas dos retábulos ou das madeiras das portas, pinturas essas diz-se, feitas pelas próprias religiosas.  



Claustro


Parlatório



Do lado sul do edifício e a poente da igreja, existe uma portaria com entrada anexa para o parlatório, destinado ao contacto das freiras com os visitantes. Embora se encontre já muito alterado, é o único exemplar deste tipo de instalação, na Terceira.









A Igreja


Coros da Igreja de São Gonçalo
Coro Alto e Baixo




Esta Igreja é um templo característico deste tipo de mosteiros, com coro alto e baixo (em estilo barroco e conventual), separados do templo propriamente dito por um óculo com gradeamento de ferro, rodeado de talha dourada em cedro-do-mato, de origem local.

 




Nave vista do Coro Alto



No coro baixo da igreja é onde se encontram as sepulturas das religiosas, cobertas por simples lages em pedra, e onde se destaca uma imagem processional do Senhor dos Passos, junto à grade.








orgao de tubos setecentista

No coro alto, está o cadeiral da Congregação, com figuras míticas esculpidas nos braços dos assentos. Na parede dos fundos um oratório/altar com diversa imaginária religiosa, originária do outros conventos da ilha aquando da extinção dos conventos no século XIX.  Neste Coro, cujo piso é de madeira de cedro local  (cedro-do-mato), também se pode ver o órgão de tubos (setecentista), uma estante em madeira exótica e a magnífica pintura do tecto.




O interior da Igreja é todo revestido de talha dourada setecentista e pinturas a óleo sobre tela do inicio do séc. XVIII, sem esquecer o tecto também ele decorado. 





Paineis azulejo de Teotónio dos Santos 
A parte inferior das paredes  recebeu quatro grandes painéis de azulejo, da época joanina, atribuídos a Teotónio dos Santos,  que terá realizado esta obra entre 1720 e 1730.





Capela mor da Igreja de São Gonçalo em Angra do Heroismo
Capela-Mor


No retábulo em talha da capela-mor, de estilo rococó , vê-se uma escultura seiscentista do Crucificado como Divino Imperador, com a coroa e o ceptro em prata dourada, sobre uma cruz revestida a prata filigranada.
Nos nichos do retábulo da capela-mor estão as imagens setecentistas de São Francisco de Assis e de Santa Clara.

Sao Gonçalo
N Sra da Conceiçao Igreja de São Gonçalo em Angra do Heroismo


Existem duas capelas, sendo que, na do lado do Evangelho se encontra uma  imagem do séc. XVII representando S.Gonçalo de Amarante, patrono desta igreja, e na do lado oposto,  uma imagem de Nª. Sra da Conceição, acompanhada pelas de São Francisco de Sales e Santa Teresa de Ávila.






Esta Igreja sofreu danos generalizados e profundos com o sismo de 1980, pelo que em 1989 começaram as obras de reconstrução. 
Hoje estão aqui instalados um colégio e uma casa de recolhimento.


Nota: Não posso deixar de agradecer à Irmã que me acompanhou na visita pelos seus esclarecimentos, mas sobretudo pela amabilidade e paciência com que me recebeu. O meu Muito Obrigado.

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Estrelícias (Strelitzia reginae)

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Impérios do Espírito Santo

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Imperio de Sao Pedro Angra do Heroismo
Império do Espírito Santo
 de São Pedro (Rua de Trás)
Fundado 1877
Freguesia de S.Pedro


O culto nos Impérios ao Divino Espírito Santo já é descrito 150 anos após o povoamento das ilhas como sendo um culto generalizado em todos os Açores. Serviu como que um elo de união para as gentes provenientes de lugares tão diversos como a Flandres e o Algarve, e representando um verdadeiro traço cultural unificador das populações das diversas ilhas.




Assim, a Irmandade com carácter territorial  (composta por irmãos, voluntariamente inscritos e consensualmente aceites, todos eles iguais em direitos e deveres) é responsável pela organização do culto estruturado em torno de um Império do Espírito Santo (normalmente um pequeno edifício com arquitectura distinta em torno do qual se realizam as actividades do culto, sendo que na Ilha Terceira são pequenas capelas vistosamente ornadas e encimadas pela coroa imperial) ao qual geralmente está associada uma dispensa que, como o nome indica, se destina ao armazenamento dos adereços, dos víveres e dos demais elementos necessários às celebrações, que são da responsabilidade do Mordomo (geralmente um irmão que se oferece para desempenhar a função por vezes em agradecimento de uma graça ou em forma de promessa).




Império dos Inocentes da Guarita em Angra do Heroismo
Império do Espírito Santo
 dos Inocentes da Guarita
Fundado em 1901
Freguesia da Conceição
O Império da rua de cima de São Pedro Angra do Heroismo
O Império do Espírito Santo
 da Rua de cima de São Pedro
Fundado em 1795
Freguesia de S.Pedro
Império dos Quatro Cantos Angra do Heroismo
Império do Espírito Santo dos Quatro Cantos
Fundado 1810
Freguesia da Sé






Para o culto existem determinados objectos cada um com a sua simbologia como a Coroa, o Ceptro e o Orbe, assim como a Bandeira, as Varas e o Hino. As cerimónias consistem na Coroação, no Cortejo, no Bodo entre outras, mas trata-se essencialmente de uma Festa de Fé, de Entreajuda e de Alegria. 





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